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Atlântico 2010 – A zona nas calmarias

sexta-feira, 29 outubro, 2010 @ 8:10 pm

O mar foi bonzinho até Cabo verde

Cruzar o Atlântico, da costa Nordeste da America do Sul para a Europa, é como passar por quase todas as zonas climáticas do planeta. Primeiro pegamos carona nos ventos alísios de Sudeste; depois de passar o Equador temos que atravessar a Zona de Convergência Inter Tropical, as Doldrums ou ZCIT para os íntimos; e, por fim, não tem como evitar o contravento dos alísios de Nordeste.

Navegar nos alísios de Sudeste foi a melhor parte. Como estávamos subindo na contramão, os ventos favoráveis, como o nome diz, alisavam o mar. O Ferrara, com a ajuda das cinco velas, chegou a fazer quase 200 milhas em 24 horas.

Neste trecho nossos problemas foram outros. Dois dias depois da saída da cidade do Natal, estourou um tubo da bomba hidráulica que engrena a “marcha” no motor de boreste. Mi capitán Jordi, que costuma enjoar nos primeiros dias das travessias, comeu um cortado tentando resolver o vazamento (e chegou a devolver ao mar parte do que comeu). Ficamos horas navegando só com um motor. Ele me contou depois, que chegou a pensar em abortar mais uma vez a viagem (lembra-se que tivemos que voltar do Atol das Rocas?).

Um pirajá no meio do AtlânticoA ZCIT, que os franceses chamam de pot-au-noir, é como um cinturão, de 3 a 5 graus de largura, que separa os dois sistemas de alísios. Ela se move pra cima e pra baixo ao longo do ano, chegando a ficar em 1º Norte durante o mês de abril e subir para 8º Norte durante o verão do Hemisfério Norte.

É uma zona: calmarias podres, vento faroeste (aquele que sopra de todas as direções) e um campo minado com borrascas ou pirajás.

Na zona de calmarias não há previsão de tempo, o tempo muda de repente. É uma das áreas navegáveis do planeta mais desafiadoras para se cruzar somente a vela. Como estávamos num trawler, um barco a motor, as calmarias não chegaram a incomodar. Mas o calor…

O Ferrara é um barco desenhado para enfrentar o Mar do Norte, que é frio pra chuchu. Então sentiu o drama? Levamos um susto quando procurávamos o star finder, que estava junto com um monte de livros no paiol embaixo do sofá da sala, que fica colado nos dutos da chaminé. Parecia que os livros iam entrar em combustão espontânea! Dormir dentro do barco, pelo menos pra mim, era impossível. Mas era uma delicia ficar ao relento no convés, vendo as estrelas e ouvindo o farfalhar (eita palavrinha bonita!) das ondas no costado até adormecer.

Banho de mangueira com bastante água João Gaucho me ajudou na limpeza do convés

Pegamos muita pouca chuva neste trecho. Levávamos quase mil litros d´água, o que daria para a travessia. Mas ter um dessalinisador a bordo é um conforto que não tem preço (ou melhor, tem sim: é caro pra c@r@lho!) Mi capitán vez ou outra regava o convés para tirar o sal e cheguei, luxo dos luxos, a tomar banho de mangueira no meio do Atlântico!

O contravento dos alísios de Nordeste só fomos pegar perto do arquipélago de Canárias, mas isso é assunto para outro post.

Clique aqui para os outros relatos de nossa travessia do Atlântico.

4 Comentários leave one →
  1. miriam permalink
    sexta-feira, 29 outubro, 2010 @ 9:17 pm 9:17 pm

    arre!!!!!! inté quim fim né seu helinho. Mas não pare não, quero saber mais, muito mais. Vai contando e editando as fotos. bjs Vamo que Vamo!!!!

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    • segunda-feira, 1 novembro, 2010 @ 12:41 pm 12:41 pm

      Miriam,

      Se avexe não, logo mais tem mais.
      Falei que vou atualizar o blog regulamente, mas isso não significa que será diariamente. Ainda sofro de preguiça.
      Você não perde por esperar.

      Um cheiro,

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  2. miriam permalink
    terça-feira, 2 novembro, 2010 @ 8:04 pm 8:04 pm

    ok seu helinho, vou ficar esperando. bjs

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    • quinta-feira, 16 dezembro, 2010 @ 3:14 pm 3:14 pm

      Miroca,

      Não esperou muito né não? Já sairam outros causos e fotos.
      Mas tem mais, muito mais.
      Você não perde por esperar.

      Para ver todos os posts sobre a travessia do Atlaântico no Ferrara clique aqui.

      Um cheiro e bons ventos sempre,

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