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Atol das Rocas III – dentro do anel

segunda-feira, 19 julho, 2010 @ 12:07 am

A Barreta vista de dentro

Em Rocas, a ideia era arrodear a Ilha do Farol, visitar a estação científica e retornar ao bote. Jarian tinha pressa, pois ainda tinha que coletar material aproveitando a maré baixa. Coincidentemente neste dia ele estava fazendo 14 anos de trabalho no Atol. Curiosamente não como funcionário do ICMBio ou de algum instituto de pesquisa, mas como voluntário.

Na praia de fora a areia massageia os pés

Levamos sandálias, mas ninguém as calçou. A areia grossa massageava nossos pés. A turma sai na frente, sempre escoltados por elegantes viuvinhas, e me atraso fotografando sem muito critério, numa luz dura, de um Sol quase a pino. Pelas marcas na areia, na maré cheia o mar lava as ruínas do antigo farol.  A Ilha do Farol é um imenso ninhalA Ilha do Farol, de 1 Km de comprimento por 400 metros de largura, é um imenso ninhal. Rocas é a maior colônia de aves marinhas tropicais do Brasil.

Seria o banco do banzo na laguna interna?

Na maré baixa, na área interior, formam-se várias piscinas naturais, de todos os tamanhos e profundidades, que servem de berçários para as diversas espécies marinhas: peixes, o aratu (tem também o caranguejo terrestre) e o raro tubarão-limão.

Mara mostra um ovo de tubarão Jarian, Mariana, Julie, Dráusio e a turma do Ferrara  na nova casa

O Atol das Rocas é uma área de abrigo e alimentação da tartaruga-de-pente e a segunda maior área de desova da tartaruga-verde no Brasil, a outra é na Ilha da Tivemos direito até a uma palestra oferecida por DráuzioTrindade. Quando estive lá, na Eldorado Brasilis de  2008, notei que, apesar das instalações parecerem uma vila, com geradores, água encanada e internet wi-fii, existia uma praça onde os militares podiam sentar e fitar o mar infinito. Era a Praça do Banzo – uma referencia a nostalgia dos negros africanos exilados de suas terras. Em Rocas o sentimento de isolamento é palpável. É um dos poucos recantos desse nosso judiado planetinha ainda regido só pelas leis da natureza.

Os pesquisadores ficam no Atol em média dois meses. A estação cientifica, uma casa de madeira pré-fabricada toda cercada por telas para deixar os pássaros do lado de fora, é simples, mas confortável. Um charme a bacia com água do mar para se limpar os pés antes de entrar. Lá encontramos a Mariana e Julie, uma jovem americana de Miami. A energia vem de painéis solares, que serão substituídos em breve, e de um pequeno gerador a gasolina. Banheiro? Não há. O banho é de água salgada e as outras necessidades são saciadas numa ponta de areia, no mar mesmo (os sargentinhos, já acostumados, ficam todos alvoroçados quando alguém se aproxima deste ponto).

O almocharifado e, ao fundo, a nova estação científica

Até entendo não haver um plano de manejo para visitação controlada ao Atol. É tudo muito frágil. Mas acredito que as belezas naturais e o trabalho dos pesquisadores devem ser divulgados. Quando conhecemos fica mais fácil defender e preservar. Então fica a sugestão: que tal convidar outros velejadores, que naveguem até lá em seus próprios barcos, para conhecer a estação científica? Os felizardos, como eu, jamais esquecerão esta experiência.

JarianFinda a visita, me senti como uma criança numa loja de doces, mas não pude ver as revoadas dos trinta-réis, atobás e viuvinhas ao entardecer. Depois de duas horas no paraíso, já no bote laranja, escuto nosso  anfitrião Jarian cochichando algo. Insisto em saber o que era e ele confessa estar agradecendo à Barreta por tê-lo deixado passar. Aproveito e faço o meu pedido: que ela me deixe entrar novamente, desta vez com Zélia também a bordo.

Fonte: texto da equipe da Reserva Biológica do Atol das Rocas.

8 Comentários leave one →
  1. Nelson permalink
    segunda-feira, 19 julho, 2010 @ 8:34 am 8:34 am

    Valeu Maracatu! Foi muito bom ter esperado as três partes em gotas diárias. Os textos e as fotos deixam a gente com água na boca. Deixo aqui também o meu agradecimento a Zélinha, por ter aberto o portal do paraíso a vocês e ter proporcionado a gente, pelo menos, as fotos da loja de doces.
    Nelson

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  2. monica blumer permalink
    segunda-feira, 19 julho, 2010 @ 1:44 pm 1:44 pm

    o que os olhos não vêem o coração não sente, e agora…o que fazer com essa vontade enorme de um dia poder pisar no atol…bela matéria,fotos…sem comentários,obrigado tripulação do Ferrara, obrigado Zélia e equipe ! monica blumer

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  3. so um sesconhecido permalink
    segunda-feira, 19 julho, 2010 @ 7:09 pm 7:09 pm

    HELIO, posta mais fotos para deixar nos mortais babando…

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  4. miriam permalink
    segunda-feira, 19 julho, 2010 @ 8:36 pm 8:36 pm

    gentem que inveja, boa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Que lugar maravilhoso!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    bjs

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  5. terça-feira, 20 julho, 2010 @ 7:54 am 7:54 am

    Parabéns Hélio e Mara, nossos representantes da natureza. Através de pessoas sensíveis como vocês, é que agente aprende que nós fazemos parte da natureza.
    Vida longa.

    Abraço, Adauri.

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  6. terça-feira, 20 julho, 2010 @ 12:02 pm 12:02 pm

    Hélio parabens!!!!!
    As fotos estão maravilhosas, vocês estão prestando um grande serviço aos mortáis comuns!
    Vou limpar o teclado que está todo babado!
    Bons ventos e mares amistosos!
    Celso

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  7. rato permalink
    quinta-feira, 2 dezembro, 2010 @ 10:18 am 10:18 am

    Massa ! Muito bom ! um dia ainda paro por lah… bons ventos.

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  8. André Ribeiro permalink
    terça-feira, 23 fevereiro, 2016 @ 12:01 am 12:01 am

    extremamente maravilhoso! e que o homem não destrua essa obra divina, vou confessa,fiquei com muita vontade de conhecer,parabéns a que cuida da biodiversidade do nosso planeta.

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