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A Carta Esférica

sábado, 29 agosto, 2009 @ 4:00 pm

Capa de ACarta Esférica Observemos a noite. É quase perfeita, com a Estrela Polar visível na sua posição exata, cinco vezes para a direita do alinhamento formado por Merak e Dubhé. A Estrela Polar vai continuar na mesma posição durante os próximos vinte mil anos e qualquer navegante que a contemplar sentir-se-á consolado ao vê-la no firmamento, porque é bom alguma coisa continuar imutável em algum lugar, enquanto as pessoas precisarem de traçar rumos sobre uma carta de navegação ou sobre a paisagem difusa de uma vida.

Em O Cemitério dos Barcos Sem Nome (Edições Asa em Portugal).

De qualquer maneira, logo as estrelas brilharão inutilmente acima do mar, porque os homens já não precisam delas para encontrar o seu caminho.
– Isso é ruim? Pergunta Tánger.
– Não sei se é ruim. Sei que é triste.

Em A Carta Esférica (Companhia das Letras), o mesmo livro, do autor espanhol Arturo Pérez-Reverte.

Sinopse (pescada em O Livreiro):

No porto de Barcelona, um marinheiro desempregado sonha com os navios mercantes que partem deixando-o no cais; no Museu Naval de Madri, uma historiadora sonha com um navio naufragado há 200 anos na costa de Cartagena. A paixão pelo mar, espaço traiçoeiro aberto a todas as aventuras, transforma-os em caçadores de um tesouro que naufragou com um barco em 1767. Munidos de mapas e instrumentos náuticos do século XVIII, de documentos históricos da Marinha e da Companhia de Jesus, o marinheiro sem barco, leitor da ‘Odisséia’ e de ‘Moby Dick’, e a historiadora apaixonada pelas aventuras de Tintin perseguem o fantasma do tesouro escondido nas águas do Mediterrâneo.

DVD La Carta Esferica

O comandante Walter, do catamarã Galileo, me emprestou o livro no meio do Atlântico Norte. A solidão de Manuel Coy, o rude marinheiro desterrado do mar, e da historiadora Tánger Soto, logo se revela quando partem à procura do Dei Gloria, um barco dos jesuítas que naufragou com um tesouro “para comprar a igreja”. Como em Homero, Melville e Joseph Conrad, autores venerados pelo marinheiro Coy, Pérez-Reverte consegue transmitir o que o mar significa para um marinheiro. Dei boas risadas com as “leis” inventadas pelo protagonista, como a LLMPD (Lei do Leva Muito e Pouco Dá) e LDMF (Lei de Dançar com a Mais Feia). Porem, e sempre tem um porem, na minha humilde opinião o desfecho final deixa a desejar. É um livro para ser lido com calma, nos turnos noturnos, sentindo o vento no rosto.

Aqui tem um trailer do filme de Imanol Uribe.

2 Comentários leave one →
  1. segunda-feira, 31 agosto, 2009 @ 8:43 am 8:43 am

    Este é um bom tema para fazer uma pergunta….a matéria de estudo para capitão amador ( parece-me que é assim que se chama por ai a carta para navegação oceanica) ai no Brasil, inside sobre as novas tecnologias, ou ainda estudam a utilização do sextante e as HO(s)?.Por exemplo para as marés?, aprendem sobre cartas Brasileiras e do Almirantado Inglês?.
    Posso já adiantar que em aqui, pouco ou nada se fala no Gps, sendo toda a matéria da carta de- Patrão de alto mar- insidir sobre cartas de navegação; sextante, impressos e mais impressos para fazer calculos para estrelas e planetas. No final do curso é necessario um Troller para carregar todos os almanaques (não estou a brincar). Lá vão permitindo calculadoras com a função de raiz quadrada para trignometria, até o radar é necessario um impresso próprio para determinar a posição, rumo e velocidade relativa do “outro”. Fala-se em mudança há algum tempo.

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    • quarta-feira, 2 setembro, 2009 @ 11:54 am 11:54 am

      Conde,

      No Brasil temos três níveis: Arraes, Mestre e Capitão. Me parece que a carta de Capitão Amador é diferente da de Patrão de Alto Mar. Aqui o capitão amador não pode trabalhar, como, por exemplo, fazendo charter. É uma habilitação só para esporte e recreio.

      Quando prestei o exame, e lá se vão mais de 10 anos, as questões eram 90% navegação astronômica. Hoje, se muito, é 1%, com uma questão sobre passagem meridiana. O resto é GPS, radar, estabilidade e primeiros socorros. Nas provas se usa as cartas da Marinha Brasileira. Depois de muitos acidentes começou a se falar em prova pratica. O que é difícil para se botar em pratica (desculpe o trocadilho).

      Bons ventos sempre,

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