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O chambaril do Cobra Choca

domingo, 25 julho, 2010 @ 12:07 am

Nós no Cobra Choca

Acho que vou fazer um guia gastronômico dos bares e restaurantes que visito em cada escala. Aqui vai mais uma dica em Natal: o restaurante Cumpade Cobra Choca (pense numa galinha choca, arisca depois de por um ovo, uma cobra então… deve ser um perigo!).

Quem nos apresentou ao Cobra Choca foi Elder, de quem já falei no post O caviar nordestino. O nome do restaurante, simplesinho com bancos de madeira na varanda de uma casa numa viela de um bairro da periferia, vem do hábito do proprietário de chamar a si mesmo e aos clientes de “cumpade cobra choca”.

O chambaril do Cobra ChocaO cumpade é uma figura, antigamente almoçava junto aos clientes usando uma bacia de lavar roupa como prato e a sobremesa normalmente era uma jaca. Hoje, por conta de colesterol alto, está mais comedido.

A especialidade da casa é o chambaril, que é como os nordestinos chamam o osso buco (literalmente osso furado, em italiano), a perna do boi cortada horizontalmente. Só que a esposa do cumpade, que é quem pilota a cozinha, não corta o osso em finas rodelas. Um bom naco da perna do boi vem para a mesa inteiro, acompanhado de legumes, um delicioso pirão feito com o caldo do cozido e arroz branco. Como entrada pedimos uma porção de fava, um feijão grande e rajado, mas no cardápio tinha iguarias como cunhão de boi torrado (para quem não fala nordestinês, cunhão são os testículos) e porco com bode.

Mesmo para os que conhecem essa receita, a aparência do osso, como uma perna de um dinossauro pequeno, com cartilagens à mostra causa  uma certa estranheza. Mas que logo é esquecida na primeira garfada. O prato leva meio dia para ficar pronto, o músculo fica macio e com um sabor bem próprio.

A cara de felicidade de JordiNunca vi mi capitán Jordi, que Mara diz ser chato para comer, atacar um prato típico brasileiro com tanto afinco. Basta ver a cara de felicidade dele na foto ao lado, ao fim do repasto.

Ah sim, o Cobra Choca fica no bairro Dix-sept Rosado. Aqui merece um parêntese (o nome do bairro é uma homenagem ao ex-governador do Rio Grande do Norte Jerônimo Dix-Sept Rosado Maia, que era filho de Jerônimo Rosado e irmão de Jerônimo Vingt-un Rosado, de Vingt Rosado e de Dix-Huit Rosado. Era uma penca de filhos, os nomes dos últimos rebentos do patriarca Jerônimo Rosado são algarismos em francês. Chique né? A filha mais velha, Primeira Rosado, era conhecida como Dona Primeirinha). Fecha parêntesis.

Sobre estes anúncios
3 Comentários leave one →
  1. EDSON ( ALADIM ) permalink
    sexta-feira, 30 julho, 2010 @ 6:44 pm 6:44 pm

    Quem come desse chambaril, jamais esquece!!!!!!

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    • segunda-feira, 15 novembro, 2010 @ 3:01 am 3:01 am

      Edson,

      Tens razão, ainda lembro do sabor. Vou fazer questão de voltar lá na próxima visita a Natal.

      Bons ventos sempre,

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  2. sábado, 28 julho, 2012 @ 9:58 pm 9:58 pm

    Sou natalense e também frequentadora do citado Cobra Choca e simplesmente “adoooooro” ir lá comer o chambaril, com aquele delicioso pirão…É um manjá dos deuses. Mesmo quem não tem muita familiaridade com nossas comidas regionais não deixa de apreciar diante da simplicidade do local, iguarias tão bem feitas e deliciosas. Forte abraço e voltem sempre à nossa terrinha hospitaleira: Natal/Rio Grande do Norte.

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