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A expedição do navio fenício

quarta-feira, 4 novembro, 2009 @ 12:07 am

A rota da expedição PhoeniciaA expedição  Phoenicia, do explorador inglês Phillip Beale, que conta com a aprovação da Royal Geographical Society, tenta recriar a 1ª circunavegação do continente africano feita pelos fenícios, considerados os maiores navegadores da antiguidade.

Já o Phoenicia, a réplica de um barco fenício de 600 AC e construído na Síria, está neste momento no meio do Oceano Índico e leva um brasileiro a bordo: Yuri Sanada, que, com a esposa Vera, foi nosso vizinho aqui na Marina Bracuhy.

Você pode acompanhar a viagem do Phoenicia pelo portal de Yuri e Vera no AVENTURAcomBR, que é a produtora associada do filme que será lançado ao fim da expedição, pelo blog editado por Nelia Tavares e pelo track online da Yellowbrick.

Agora vem a boa nova: o tripulante Yuri, que também é o câmera da expedição, nos mandou uma mensagem no dia 1 de novembro, da posição 15 04.8N, 57 35.0E, que transcrevo abaixo.

 

© Phoenician Ship Expedition Nós estamos velejando agora durante uma semana, ainda tentando ir o mais distante possível para o Leste, antes de apontarmos para o Sul. A razão é óbvia, se você estiver seguindo nossa viagem ao redor da África, precisamos evitar as águas perigosas ao redor da Somália, presumivelmente infestada com piratas. Infelizmente, não estamos fazendo tanto progresso quanto planejamos no princípio. Assim estamos levando nosso tempo, e desfrutando os prazeres simples, mas significantes, que este mundo de água pode oferecer.

Em primeiro lugar, temos liberdade. Não o mesmo tipo de liberdade que você tem quando volta para casa, é claro. Nosso mundo está agora limitado pela área do navio, mas até mesmo com uma tripulação de 11 pessoas, todos parecem achar o próprio canto, quando vem a necessidade de estar só.
Nossa liberdade aqui é igual, nenhum compromisso, nenhuma necessidade para ir ao supermercado, nenhum telefonema, nenhum vendedor na porta (porém nós encontramos um tubarão de tamanho médio outra noite), e nenhum horário fora de nosso ambiente.
Nós temos obrigações, mas elas vêm naturalmente, como manter o barco flutuante e comovente para nosso destino. Para isso, nós somos divididos em dois grupos, cinco pessoas cada e o capitão Philip, só aparecendo quando necessário. Nossos turnos são de 4 horas durante o dia e 6 horas à noite, assim todos tem um tempo de sono mais longo.

A Expedição Fenícia é uma viagem de descoberta, tentamos provar que os fenícios tiveram tecnologia e habilidades para velejar ao redor da África, e também é uma viagem de descoberta de ego, pois a bordo somos expostos a culturas diferentes.

© Phoenician Ship ExpeditionNosso grupo nesta perna é composto de cinco marinheiros da marinha real de Oman, três Indonésios, e três ocidentais, da Inglaterra, da Suécia e do Brasil.

A comida varia e cada vez tem uma nacionalidade diferente cozinhando, e você pode, às vezes, comparar qual é mais quente. A água é agora um assunto principal para nós. Nós estamos levando três mil litros, mas não calculamos a necessidade de oito tripulantes muçulmanos que precisam se lavar com água fresca cinco vezes ao dia, antes de colocarem os tapetes para rezar a Meca. Eles só podem gastar 1/3 de nossa provisão total para cumprir a obrigação religiosa. Assim, como bons camaradas, estamos nos adaptando a esta situação nova e concordamos economizar, usando mais água do mar para cozinhar e lavar.

© Phoenician Ship Expedition As diferenças se quebram quando temos que trabalhar para alcançar uma meta, como elevar a vela principal que pesa acima de uma tonelada, e quando nós mudamos os turnos de vigia, e fazemos as refeições juntos. Assim nós vamos, enquanto velejando juntos, sendo criativos na cozinha, bombeando água de nosso porão, ajustando as velas, e olhando para fora tentando decidir se aquele ponto no horizonte é uma estrela, um navio de carga amigável, ou talvez um barco pirata que espera por nós.

Falando sobre isso, é engraçado quando os navios de carga nos vêem, pois parecem acelerar. Eu não os culpo, porque uma réplica de navio Fenício de 2.500 anos a.C navegando no oceano, deve parecer como um navio pirata para eles.

Nós continuamos nesta longa perna rumo à Tanzânia, brincando de piratas, e rezando para não encontrar com os verdadeiros. Yo, ho, ho uma vida de pirata para mim.

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2 Comentários leave one →
  1. quinta-feira, 5 novembro, 2009 @ 7:04 pm 7:04 pm

    Oi amigos,

    Obrigada pela divulgação!

    Beijos e sucesso sempre para esse casal do mar!

    Vera

    Curtir

    • sexta-feira, 4 dezembro, 2009 @ 12:06 pm 12:06 pm

      Vera,

      Vi vocês na edição 255 da Revista Náutica, em matéria sobre a casa ecológica.

      Continuo acompanhando a construção pelo site.

      Sucesso procês também e bons ventos sempre.

      Curtir

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