Pular para o conteúdo

Aviso aos Navegantes

☆ Já deu uma espiada no fotoblog ImageMar - imagens de um navegante impreciso?
☆ As férias estão aí! Aluga-se um lugarzinho em Bracuhy, na paradisíaca Angra
☆ Com o clássico Mema, de Dani, Mariana e o pequeno Mateus, já são 50 barcos com brasileiros girando pelo mundo. Links no Radar

Os 18 anos do MaraCatu

sexta-feira, 20 janeiro, 2012 @ 11:59 pm

MaraCatu18anos

Os anglófonos, aqueles que têm o inglês como língua materna, tratam os barcos no feminino, por “she”. Eu acho um charme. Os veleiros deveriam mesmo ser tratados no feminino, pois são como as mulheres: exigem atenção, carinho e dão o maior prazer (não vou dizer que também dão despesas, pois não sou marxista, digo, machista – desculpe, acabo de chegar do BowTeco).

Hoje, dia de São Sebastião, 18 anos atrás, o MaraCatu foi pra água pela primeira vez. Está uma moça linda, viçosa em sua pouca idade, e nos deu muitas alegrias em todos esses anos – com um pouquinho de trabalho, que ninguém é perfeito. O último lift, como toda jovem mulher vaidosa, foi em 2007. As fotos da cirurgia estão aqui, mas vou logo avisando: se você não está acostumado com cenas fortes, é melhor não olhar.

HelioMiguelA festa de aniversário foi concorrida. Arrumada de ultima hora, a equipe do BowTeco se esmerou e ainda deu tempo de Salete fazer um bolo que, no fim, deu para comemorar triplamente: os 18 anos do MaraCatu, a chegada do meu netinho Miguel e o aniversário de um tripulante do Guilherme que estava fazendo sete anos (desculpe, não sei escrever o nome do barco, nem anotei o nome do aniversariante. Eu já falei que acabo de chegar do BowTeco?). Existe a tradição, pelo menos vi num filme dos Três Patetas, de se fumar um charuto para saudar um recém-nascido. Pois foi o que fiz em homenagem ao meu netinho: acendi um Danidoff Special «R», feito à mão na Republica Dominicana.

Mas vamos voltar pro rumo da prosa, para a razão deste post.

Leia mais…

Curso Express de Marinização

sexta-feira, 20 janeiro, 2012 @ 12:07 am

ThaisLagoaAzul

Abri meu horizonte para charters na Baía de Ilha Grande e Paraty. Em dezembro estreei como skipper na Delta Yacht Charter, que tem seus Deltas 36´ na Marina Bracuhy. E comecei em mar de almirante: sai com o Plunct Plact Zum, ou PPZ no diminutivo, um Bénéteau Oceanis de 40 pés recém incorporado à flotilha.

Ainda não conhecia o Ernesto, um leitor assíduo do blog lá em São Paulo. Combinamos o charter pelo facebook e com alguns e-mails. O plano de Ernesto era levar a esposa para velejar pela primeira vez. O difícil foi arrumar três dias de folga em sua agenda superlotada. Não seria uma marinização como a da Camila, que durou uma semana, mas um “Curso Express”, como bem definiu Thais, a marinheira de primeira viagem.

Os tripulantes – Ernesto, Thais e sua irmã Débora – chegaram tranquilos quanto ao barco, eles têm lancha no Guarujá, mas receosos com relação a sinal de celular e internet, talvez por conta do filho pequeno que o casal deixou em casa. Fui logo tranquilizando a turma: por onde vamos navegar, a natureza é tão exuberante que vocês vão querer é ficar sem sinal.

Assim que deixamos a marina usei um artifício e, como quem não quer nada, sugeri que Thais assumisse o leme enquanto eu e Ernesto subíamos os panos. Com 15 nós de vento, o mar sem ondas e o PPZ velejando gostoso a 7 nós e quase em pé, era a condição ideal até pra vender barco. Imagina para marinizar uma mulher que parecia já saber timonear um veleiro desde criancinha. Não há aquele que, em sã consciência, possa desgostar disso. Ernesto convidou Mara para participar como instrutora no curso, então tínhamos hostess a bordo, ajudando em tudo e servindo uns snacks – alguns da marca que Ernesto produz para exportação. Thais só largou o leme, sem contar a escala para mergulho na Praia do Dentista, quando acabou o vento já perto da Ilha Grande, onde pernoitamos.

SitioForte

Aí teve a segunda lição do dia: banho frio no chuveirão do Bar do Lelé, na enseada de Sítio Forte, onde jantamos um vermelho assado. As meninas, que não têm este hábito, tiraram de letra. E gostaram! Depois foi curtir a noite e os brinquedinhos do Ernesto. Eu me espantei com a quantidade de tralha que embarcamos no PPZ. Quando fiz o transporte de parte dos volumes para o píer, notei a cara de espanto e ouvi o grito de Otávio, funcionário da Delta: vai cair! Não deu outra, o carrinho desembestou ladeira abaixo e joguei a bolsa de Ernesto n´água. O dano só não foi maior porque Otávio foi muito rápido, quase mergulhou junto, e o acidente não foi com a tal bolsa de brinquedos que estava recheada, entre outras coisas, com GPS, painel solar portátil, binóculo, bússola, buzina, fogos de emergência, isqueiro e até outro binóculo, este com visão noturna! Isto e mais todos os “is” da Apple: iPod, iPhone e iPad.

Tive a oportunidade de ficar um fim de semana inteiro brincando com a tábua prateada da maçã. Durante o dia aprendi a navegar com o Navionics (muito bom!), ou a usar as cartas da Marine Bra, da Geogarage, que já falei aqui. À noite era deitar nas redes sociais – blogs, Twitter e facebook -, e ficar até tarde jogando o Angry Birds. Dei boas risadas, zerei vários níveis e não consegui acabar com a bateria desse tal de iPad. Devo confessar que viciei de vez.

Mas tem mais, clica aí pra continuar lendo.

Leia mais…

Miguel chegou

quarta-feira, 18 janeiro, 2012 @ 11:59 pm

Filho é um ser que nos foi emprestado para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo! Ser pai ou mãe é o maior acto de coragem que alguém pode ter, porque é expor-se a todo o tipo de dor, principalmente o da incerteza de estar a agir correctamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo.

Diz o Google que a definição de filho, escrita acima, é de José Saramago. Dizem, também, que as declarações de avô são como as cartas de amor segundo Fernando Pessoa: são todas ridículas.

MiguelMas fazer o que? Hoje ao fim da tarde, chuvosa em Angra, meu filho ligou dizendo que Miguel tinha chegado. E saiu ao vô, meio preguiçoso, teve que ser arrancado à peixeira, à base de cesariana. Depois anotei os dados: top horário às 17h32, pesando 3,5 kg e medindo meio metro. O signo é capricórnio. O primeiro neto me permite ser vaidoso, e piegas! A lembrar que os pais educam, e os avôs deseducam. Que o netinho, mesmo com a cara ainda amassada, é a coisa mais fofa do mundo.

Sem ninguém, além de Mara, pra compartilhar a boa nova, abri uma cerveja, dei uns vivas, corri pro facebook e botei a boca no trombone. Tempos modernos, já comecei invadindo a privacidade de Miguel. Já estou aqui publicando sua foto e alardeando a novidade: sou vô!

Cedo aprendi a viver longe de meus filhos. Não por opção, mas assim a vida quis. Quando vim morar no Rio, eles se mudaram para Rio das Ostras, depois voltaram para Paraíba e, por fim, foram para a Capital Federal. Não os perdi, eles é que eram meio nômades, como sou agora.

Miguel vai morar em João Pessoa, vou continuar exercitando a habilidade de amar a distancia. E vou tomá-lo por empréstimo de tempos em tempos.

Ah sim, quase esqueci de dizer que Miguel tem mãe, Joana, que passa bem, e o pai, Bené, está babando tanto quanto eu.

Jesus é rosa

quarta-feira, 11 janeiro, 2012 @ 8:45 pm

GuaranaJesus

Eu já tinha descoberto que Jesus foi o primeiro surfista, como pode ser visto na foto aqui. Recentemente constatei que ele é cor de rosa. Estou falando do guaraná Jesus criado em São Luís, nos idos de 1920, pelo farmacêutico Jesus Norberto Gomes – que ironicamente era ateu e por conta de sua criação foi excomungado. Reza a lenda que o refrigerante surgiu acidentalmente quando Jesus tentou sintetizar um remédio com uma máquina de gaseificação. Deu errado, mas os netos do farmacêutico adoraram o xarope. Daí a virar um sucesso de vendas foi um pulo.

MaraJesusLataMara, que adora uma novidade, se empanturrou com a folclórica bebida maranhense. Bem gelada até que é… muito ruim. E doce! Tem gosto de chiclete tutti frutti com um leve sabor de cravo e canela, dois de seus alegados 17 ingredientes. Na fórmula, secreta obviamente, ainda vai cafeína, teofilina, teobromina (seja lá o que isso for) e, claro, extrato de guaraná.

Lá no Maranhão, confirmei in loco, quando se fala Jesus, a turma primeiro lembra do refrigerante, para só então pensar em Cristo. A fama é tanta que em 2001 a The Coca-Cola Company, aquela que faz o refrigerante preto mais vendido no mundo, comprou os direitos sobre a marca. Pesquei na net que o fuzuê foi grande quando a companhia tentou lançar o Jesus Zero. Imagina, um grupo de paroquianos se reuniu e entrou com uma ação na Justiça contra o produto. Zero que nada, todo mundo sabe que Jesus é dez. O fabricante teve que usar a expressão light e continuando na linha de santos, parece que vai lançar também a Cola São Cosme e Damião e a Soda Nossa Senhora. Vai ver que o slogan será: “Nossa Senhora é soda”.

MaraJesusGarrafaNo fim do ultimo périplo pelo Norte/Nordeste, quando peguei o avião de volta pro Rio, fiquei impressionado com o aeroporto de São Luís – acredite, estava funcionando em tendas! – e com a quantidade de gente embarcando com litros e mais litros do famoso Jesus. Mas tem uma explicação, o guaraná rosado só é fabricado e distribuído no Estado do Maranhão. Tai uma oportunidade de negócio: comprar Jesus lá e fazer contrabando pro resto do País. Se bem que já tiveram esta ideia, neguinho tá vendendo o rosinha no Mercado Livre!

Deu na Revista Época que a campanha para renovar o visual da lata do refrigerante ganhou a medalha de ouro de melhor estratégia de marketing no Prêmio Internacional de Excelência em Design, o Idea, a maior premiação mundial de design. Eu tenho certeza que Jesus, se vivo fosse, ficaria orgulhoso.

Opa, estou falando aqui do Norberto Gomes, falecido em 1963.

A exceção pra confirmar a regra

terça-feira, 10 janeiro, 2012 @ 1:57 am

RallyCabedeloCaribe

Após a Regata Travessia Noronha-Cabedelo Bernardo Cantinho, o Comodoro do Iate Clube da Paraíba, organizou o 1º Rally Cabedelo-Caribe, quando cinco barcos seguiram em flotilha até as ilhas caribenhas de Trinidad & Tobago. Você, que é atento a detalhes, pode me dizer o que as tripulações do rally, na foto acima, têm em comum? A exceção pra confirmar a regra é que um tripulante sai um pouco do padrão. Deixe seu pitaco na caixa de comentários.

Bons ventos sopram no Rio

domingo, 8 janeiro, 2012 @ 11:48 am

MarinaGloriaEBX

Os ventos parecem que estão mesmo soprando a favor da Cidade Maravilhosa. Além do todo-poderoso Eike Batista investindo pesado na Marina da Glória (veja ilustração acima), há o Projeto Fita Azul, que pretende transformar parte da orla da enseada de Botafogo numa super-marina que engolirá, inclusive, o centenário Iate Clube do Rio (tente achar o clube na ilustração abaixo).

ProjFitaAzul

A apresentação do Fita Azul no Iate do Rio foi um sucesso, já o projeto da nova Marina da Glória está às turras com o Iphan, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Aí eu pergunto pros meus botões: como se consegue revitalizar uma área daquele porte sem mexer em nada? E como os sócios do iate ficarão na fita? Como botão não fala, fico sem resposta.

Mas tem mais: deu na Mega Yacht News que a Camper & Nicholsons, uma das maiores administradoras de marinas do mundo, em associação com a BR Marinas (leia-se Marina Verolme e Piratas), já avisou que pretende construir no Brasil uma rede de grandes empreendimentos do tipo, para mega-iates, e que a primeira delas será justamente na região do Rio. E uma delas seria em Bracuhy!?!

Bons ventos, sem dúvida. Eu só espero que eles também ofereçam vagas para micro-iates do porte do MaraCatu.

A viagem meteórica do Caroll

sábado, 7 janeiro, 2012 @ 1:43 pm

CarollPapeeteTahiti

Quando o baiano, lá de Juazeiro, Raimundo Nascimento viu o projeto do Explorer 39 na prancheta do escritório de Roberto “Cabinho” Barros , no Rio de Janeiro, foi amor a primeira vista. Era tudo o que ele precisava para realizar um projeto de mais de 20 anos: um veleiro de 12 metros, de quilha retrátil, pensado para navegações em solitário. Daí para a construção no Estaleiro Estrutural, de Marcos Toledo, em Cabo Frio, foi um pulo. Em 2010 o Caroll foi entregue tinindo de novo e equipado para a tão sonhada empreitada.

Raimundo soltou as amarras do Caroll no Iate Clube do Rio, em 23 de abril de 2011. Nas despedidas estavam o Thadeu, do veleiro Aya, e Ricardinho, do Seachegue, coincidentemente ambos projetados por Cabinho. Agora, enquanto digito este post, o barco já está em Port Elisabeth, na África do Sul. Conversei por telefone com o marinheiro Raimundo, que está em São Paulo e volta pra África no próximo dia 20 para retomar a jornada.

O plano, se “O Criador” assim o permitir, é só fazer escala em Cape Town para depois fechar o círculo no Rio. Quando Raimundo terminar sua epopéia, note que “é um projeto em andamento”, com 62 anos, ele será o mais velho lobo do mar brasileiro a completar uma circum-navegação em solitário. E em apenas 11 meses! Será um recorde.

Mesmo numa viagem meteórica como esta, passou pela quilha do Caroll quase a mesma quantidade d´água que molhou o Vagabundo, do navegador boa-praça Hélio Setti Junior, que junto com os livros do também baiano solitário Aleixo Belov e do Cabinho, são leituras obrigatórias a bordo. Água salgada e  muitas moções passaram pelo coração do comandante. Como a chegada em Nuku Hiva, nas Marquesas, depois de 31 dias solitários no mar. Ou a comemoração do seu aniversário de 62 anos em Cocos Keeling, um dos territórios da Austrália – “na realidade um atol de corais recoberto de coqueiros”. Ou ainda a tentativa de abordagem por mascarados, a 120 milhas do través da Ilha de Suman, na Indonésia. Um sufoco! A sorte é que o Caroll, navegando a 10 nós com velas e motor na rotação máxima, foi mais rápido que o decrépito pesqueiro atulhado de “pescadores oportunistas”.

A experiência náutica de Raimundo vem desde 1979, quando prestou exame para arraes amador. Das viagens longas, ele participou da edição de 2003 da Eldorado Brasílis Vitória – Trindade, a única regata realmente offshore em águas tupiniquins, e no ano seguinte fez a Refeno, no Delta 36 também chamado de Caroll, quando fez em solitário do Cabanga Iate Clube a Salvador. Cedo ele descobriu que esta seria sua sina: a esposa Solange costuma enjoar, mesmo em trechos curtos como de Ilhabela a Angra.

Mas fale um pouco sobre o Caroll? Clica aí para saber mais.

Leia mais…

Um barco pra chamar de casa

quinta-feira, 5 janeiro, 2012 @ 8:33 pm

jornalsalvador.jpg

A notícia é triste, pelo menos pra mim. Mas quem se candidatar terá muitas alegrias: o Taai-fung II está à venda. Na foto acima, tirada na entrada do canal de Aratu, no fundo da Baía de Todos os Santos, ele está entre o Yahgan e o MaraCatu.

Ivan mais Egle construíram seu veleiro junto conosco no Sindicato Ajuricaba. Depois cruzeiraram com o barquinho entre Floripa e Natal, moraram a bordo por quase três anos e agora resolveram voar mais alto. Vão viajar de avião, pode? Perdemos os parceiros de mar, são quase 30 anos de convivência, mas não os amigos. A fila só andou.

Então se você precisa de um barco pra chamar de casa, pronto para sair cruzeirando por aí, é só dar uma chegadinha no blog pintandooseti que lá tem os detalhes.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 67 other followers